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Site traz matéria sobre livro de
prostituição aproveitando o mote do filme
'Bruna Surfistinha'
Redação Sexualidade Vida
O site Donna, do grupo RBS, trouxe no último
dia 27 de fevereiro uma matéria sobre o
filme Bruna Surfistinha e, de quebra,
destaque para o livro "Garota de Programa:
Uma Nova Embalagem para o Mesmo Produto"
escrito pelo psicólogo Roberto Mendes
Guimarães em coautoria com sua orientadora
de mestrado da USP, a Profª Drª Maria Alves
de Toledo Bruns. O livro traz um estudo de
casos com garotas de classe média, com
idades entre 18 e 28 anos, e os motivos que
as levaram ao mundo do sexo pago. Veja
abaixo a matéria:
Filme Bruna Surfistinha revela detalhes do
universo da prostituição de luxo
Fazer
sexo pago aparece como a chance de ter uma
vida confortável e com direito a luxos
>> Veja a matéria
original clicando aqui
Além da chance de ver na tela a vida da
ex-garota de programa mais famosa do Brasil
e de conferir Deborah Secco em cenas
quentes, o filme Bruna Surfistinha pode
oferecer uma resposta. Por que, afinal, uma
garota de classe média, que estudou em
colégio tradicional e cresceu no conforto
buscaria ganhar a vida fazendo sexo por
dinheiro?
Esta foi a pergunta que norteou a
dissertação de mestrado pela USP do
psicólogo Roberto Mendes Guimarães, que deu
origem ao livro Garota de Programa: Uma Nova
Embalagem para o Mesmo Produto, escrito em
coautoria com sua orientadora, Maria Alves
de Toledo Bruns, e publicado no ano passado.
A seguir, as respostas encontradas na
pesquisa, que incluiu visitas a dezenas de
casas de prostituição e estudos de caso com
10 garotas de classe média, entre 18 e 28
anos:
Por quê?
Na pesquisa, despontou um perfil comum:
meninas, muitas vindas de lares
desestruturados, conhecem por meio de amigas
ou colegas de faculdade a possibilidade de
ganhar muito dinheiro como garota de
programa. Elas começam aos poucos até fazer
da prostituição sua ocupação principal, e
todas têm sempre uma justificativa para essa
escolha, como doença ou problemas
financeiros na família.
Segundo Guimarães, fazer sexo pago aparece
como a chance de ter uma vida confortável e
com direito a luxos, como carro do ano e
roupas de marca — quando a pesquisa foi
feita, em 2007, os rendimentos médios
mensais das entrevistadas eram cerca de R$
20 mil, bem acima do que receberiam como
assalariadas. Além disso, muitas têm
clientes fixos, com quem viajam, frequentam
festas e restaurantes caros — e é justamente
esse alto padrão de vida que dificulta os
planos de deixar a prostituição.
Risco
A exposição à violência e ao risco de
doenças sexualmente transmissíveis (quando
os clientes não aceitam usar camisinha)
existe, mas em menor grau se comparado à
rotina das prostitutas de rua, por exemplo.
Tabu
Ao contrário do que a sociedade costuma (ou
prefere) acreditar, as garotas de programa
dizem sentir prazer na companhia dos
clientes — a conclusão dos estudos de
Roberto Mendes Guimarães e Maria Bruns tem
causado polêmica até nos congressos
acadêmicos. Nas entrevistas realizadas,
muitas das meninas descreveram os clientes
como "alguém que me dá carinho e atenção".
Contudo, de acordo com Guimarães, a solidão
parece uma constante: ao mesmo tempo em que
elas têm vários parceiros, não têm nenhum.
Segredo
Um dos atrativos das garotas de programa de
classe média aos olhos dos clientes é
justamente o fato de que, em geral, elas
facilmente passam por namorada. Ou seja: não
são obviamente identificadas como
profissionais do sexo. Ainda assim, a grande
preocupação de muitas é manter a profissão
em segredo para a família, os amigos ou
mesmo o namorado. |