home blog  
 
a autora proposta do site o grupo produção de livros artigos científicos membros do grupo por que participar livraria virtual lançamentos dissertações teses artigos boletins receba nossos boletins links úteis contato Maria Alves na mídia notícias diferenciais nosso blog

Grupo de pesquisas leva questão da sexualidade à família e às escolas

Reprodução CNPq


A sexualidade sempre foi um tema de difícil discussão, sobretudo quando se trata de conversar com crianças e adolescentes. Conhecer o próprio corpo, suas manifestações e inquietações sexuais ainda são um tabu em nossa sociedade. Mas se depender de iniciativas como a do Grupo de Pesquisa Sexualidade e Vida, que fornece informações sobre sexualidade e ainda organiza um espaço para reflexões e questionamentos sobre postura, tabus, crenças e valores a respeito dos comportamentos sexuais na pós-modernidade, não durarão muito tempo estes receios conservadores.

O Grupo de Pesquisa Sexualidade e Vida é uma iniciativa do programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade de São Paulo (USP) em parceria com o CNPq. Desde 1990 as pesquisas são conduzidas pela especialista em Sexualidade Humana, Maria Alves de Toledo Bruns, pesquisadora do CNPq e doutora em Psicologia Educacional pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

A coordenadora afirma que o Grupo busca promover o diálogo reflexivo com a escola e a família, no sentido de viabilizar a execução de projetos interdisciplinares de educação sexual que possam esclarecer as dúvidas, mitos e preconceitos, bem como a conscientização dos jovens para uma sexualidade saudável.

De acordo com Maria Alves, a família ocupa um lugar de referência importante na construção da identidade sexual e social dos filhos. O que implica na sua co-responsabilidade, junto com a escola, de estimular a criação de projetos pedagógicos que enfoquem e priorizem a educação sexual dos jovens. “A sexualidade está envolta em preconceitos e tabus que são ancorados aos valores morais e religiosos de cada família. Ressalvando as exceções, muitos pais têm dificuldades de dialogar sobre temas pertinentes à descoberta da sexualidade vivida pelo filho. Outros ainda acham que se conversarem sobre “esses assuntos” com os filhos, podem estar incentivando-os ao inicio da atividade sexual. Desse modo, é comum pais pensarem que se a escola viabilizar a implantação de um projeto de educação sexual, o filho poderá iniciar a prática sexual mais cedo”, afirma a sexóloga.

O Grupo desenvolve diversos projetos, entre eles está sendo implantado o “Educação Sexual Pede Espaço”. Este projeto vem sendo feito numa instituição escolar que atende portadores de deficiência mental, com ou sem deficiência física associada. De acordo com Maria Alves, o enfoque é multidisciplinar e os resultados preliminares estão apontando que é possível criar um espaço para estabelecer um diálogo compreensivo e esclarecedor sobre a sexualidade de adolescentes e adultos portadores de deficiência mental. “Esse processo perpassa pelo compromisso dos profissionais e de familiares de assumirem que todos são sexuados”, diz a coordenadora.

Para a vice coordenadora do Grupo, Claudiene Santos, especialista em Sexualidade Humana pela Faculdade de medicina do ABC e doutora em Psicologia pela FFCLRP-USP, as escolas têm se mostrado ainda despreparadas para lidar com as amplas questões que perpassam pela sexualidade. “Valores, crenças, preconceitos do corpo docente e discente e o despreparo profissional de professores sobre a temática, inviabilizam ou dificultam a implantação de projetos contínuos e sistematizados”, declara a pesquisadora.

Claudiene Santos afirma ainda que a mídia tem um papel muito relevante para a difusão de conhecimentos e informações relacionados a sexualidade. Contudo apenas a transmissão de conhecimento não é suficiente para promover mudanças positivas. “A mídia tem uma responsabilidade ética com tudo aquilo que exibe, e não pode ignorar a sua participação na construção social, na formação de mentalidades e no desenvolvimento psicossocial dos jovens. Assim, ao pautar a sexualidade, a mídia deve enfocar sempre que possível o desenvolvimento da cidadania e a autonomia no que se refere à sexualidade, e isso mediada pela reflexão e o diálogo”, declara a pesquisadora.

Além disso, o grande diferencial do grupo é formar pesquisadores, mestres e doutores engajados na construção de um corpo de conhecimentos sobre os diálogos da sexualidade com a fenomenologia. “Procuramos estabelecer com o projeto SEXUALIDADE E DESENVOLVIMENTO: O EXISTIR DE HOMENS E MULHERES uma intercomunicação com outros grupos de pesquisas nacionais e internacionais sobre as diversidades sexuais e ainda fornecer aos profissionais um espaço para fortalecer o diálogo entre a pesquisa e a clínica, com vistas a gerar outros sentidos e significados para as práticas sexuais”, declara Maria Alves.

Educação sexual pede espaço
Com o intuito de forma futuros pesquisadores, o grupo é composto de orientandos e ex-orientandos da professora Maria Alves. “Juntos, aprendemos a compartilhar reflexões, e projetos que se articulam e se materializam em práticas profissionais comprometidas com a inclusão social, educacional, política e sexual. Nosso objetivo é divulgar os resultados das pesquisas em nível de mestrado e de doutorado a partir de palestras, cursos, publicações em jornais, livros e apresentações em eventos científicos nacionais e internacionais”.

O projeto também gerou bibliografia própria. Entre eles “A Educação Sexual pede espaço”, Sexualidade de Cegos”, “Sexualidade: Preconceito, Tabus, Mitos e Curiosidade”, “Vivência Transexual: o corpo desvela seu drama” e “Adolescentes: Maternidade e Paternidade Inoportuna”, que fazem parte da coleção Sexualidade e Vida. Além disso está previsto para este ano o lançamento de três novos livros: “A sexualidade de lesados medulares”, “Garota de programa: nova embalagem para o mesmo produto?” e “Que amores são esses?”

Fonte: http://www.cnpq.br/saladeimprensa/noticias/2009/0402b.htm