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Lançamentos
Sexualidade de Cegos
da Redação
A
sexualidade nunca foi tão explicitada pela
mídia, que com um marketing sempre
atualizado associa êxito pessoal e
profissional à imagem de um ser humano bem
sucedido, realizado e sedutor. Uma espécie
de mercadoria, um fetiche ao alcance de
todos. Em outras palavras, um tipo de
"consumismo do sexo descartável" que se
caracteriza pela efemeridade e ausência de
compromisso. Nota-se que uma das principais
características deste modo fugaz de
vivenciar a sexualidade se constitui no
privilegiamento do sentido da visão. A
velocidade da mídia exige a velocidade do
olhar... Inegavelmente, o olhar pode
funcionar como uma forma de aproximação, de
sedução e de magnetismo no jogo erótico,
constituindo uma linguagem universal de
atração; ou também de indiferença ou aversão
entre as pessoas. O olhar representa um
estado inicial de atração, mas o momento
seguinte à aproximação vincula-se, também,
aos outros sentidos: o tato, a audição, o
olfato, que, aliados, compõem a atração pelo
objeto desejado como um todo. Nas relações
amorosas, o gesto, o toque, a voz, o corpo,
o beijo e o cheiro da pessoa amada são
percebidos em sua especificidade e
totalidade erótica. Nestes momentos, cegos e
não-cegos transitam por horizontes
singulares e, ao mesmo tempo, semelhantes.
Diante dessa realidade, são inúmeras as
barreiras a serem ultrapassadas pela pessoa
cega, desde a mais tenra idade. O
referencial de cognição da pessoa cega
centraliza-se, particularmente, na percepção
auditiva, tátil, olfativa, fato que não
recebeu, ainda, a devida atenção das
políticas educacionais, dos meios de
comunicação e da sociedade como um todo.
Gênero em questão: diversos lugares,
diferentes olhares
da Redação
Convidamos
o leitor a um instigante diálogo através dos
diferentes olhares dos pesquisadores
convidados acerca dos diversos lugares que o
gênero, em seu movimento constante, vem
ocupando no decorrer dos séculos; ou seja,
lugares em que o gênero vem se expressando
em infinitos matizes de masculinidades e
feminilidades.
Matizes esses que, materializados pelas e
nas matrizes de sentidos - a família, o
Estado, a saúde, a religião, a mídia, a
política, a ciência, o trabalho, a economia
- vêm construindo e reconstruindo o
modo-de-ser-homem e o modo-de-ser-mulher a
cada período histórico.
Somos, portanto, seres imersos numa rede de
significações relacionais em que os valores
morais, sexuais, espirituais e éticos, bem
como os modos de ser altruísta, solidário,
individualista, violento, amoroso, são
transmitidos e apreendidos
transgeracionalmente, constituindo as nossas
representações e subjetividades.
Dessa perspectiva, gênero é o significado
cultural que o corpo político-sexuado do
homem e da mulher adquire em um determinado
momento histórico. E, em sendo construído,
cabe a nós - homens e mulheres - enquanto
sujeitos engajados no respeito às
diversidades - nos apropriarmos e
reinventarmos esse momento atual.
Esperamos contribuir para sua reflexão
crítica acerca dos diversos lugares e
diferentes olhares que o gênero vem ocupando
na contemporaneidade.
Garota de
Programa: uma nova embalagem para o mesmo produto
da Redação
O panorama
histórico mostra a prática da prostituição como um fenômeno
atemporal que ultrapassa os limites geográficos, a repressão,
o estigma, a discriminação. Tal como água, molda-se ao ethos
de cada época, visto estar ancorada ao binômio carência
econômica vs carência afetiva, próprio das relações sociais do
sistema capitalista. Percebe-se que a cartografia traçada
pelos autores comprometidos com a descrição da história da
prostituição até os dias atuais permite-nos desvelar lacunas
discursivas que nos remetem às seguintes questões: a
prostituta tem sido repudiada e estigmatizada ao longo dos
tempos – por que, então, a prática da prostituição perpassa os
séculos? Atribuir a causa da prostituição a essa mulher
estigmatizada, largada, desonrada, silenciada, ressoa como um
paradoxo. Em sendo ela tão desqualificada, como pode exercer o
domínio sobre seu cativo cliente – o homem? Não é, assim,
destituí-lo de seu lugar de dominador? Não seria o homem,
enquanto coautor desta prática sexual milenar, também
responsável por sua permanência/continuidade através dos
séculos?
Se não houvesse a retroalimentação de seu sistema de
manutenção certamente já teria sido erradicada, tal como já
foram algumas doenças contagiosas.
Com isso quero dizer que sem dúvida houve e há até hoje homens
de todas as idades, classes sociais e partidos políticos que
se submetem ao poder dessa “mulher desqualificada” para
vivenciarem seus momentos de êxtase.
Diante deste fenômeno atemporal dirigimos nossa atenção para a
compreensão acerca do que mobiliza a jovem de classe
média-alta a se prostituir – mesmo com a independência sexual
da mulher moderna. Seria essa prática uma relação de troca
comercial, mantida e retroalimentada pela relação de gênero?
Seria uma doença? E/ou seria um prazer? Difícil de ser
controlado? Outro aspecto a ser indagado é relativo à
terminologia usada por essas jovens que se apresentam como
garotas de programa e não como prostitutas. Seria esta uma
nova embalagem para vender o mesmo produto? Na busca de
explicitar essas, entre outras questões, Guimarães e Bruns,
autores do livro "Garota de Programa: nova embalagem para o
mesmo produto", lançado pela Editora Átomo (2010) em agosto e
setembro próximo, oferece ao leitor a oportunidade de conhecer
a história de vida de 10 jovens de classe média-alta que se
dispuseram a contar suas vivencias sexuais e a apontar as
razões que as motivaram a eleger, consciente ou
inconscientemente, a prostituição como projeto de realização
pessoal e laboral. O foco dessa palestra é refletir/dialogar
acerca dessa nova embalagem no momento atual. |