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Transexual e travesti: é a mesma coisa? Como
são diferentes?
Por Maria Alves de Toledo Bruns*
“Transexual é homem ou mulher?”. “Que
história é essa de cirurgia? Opera a
genitália?”. “Nossa! Essa eu não acredito!”.
“Transexual e travesti são iguais?”. Essas,
entre outras, são perguntas que me foram
enviadas pelos leitores da revista Zmagazine
e do Jornal Campinas Café. Tratam de
questões instigantes que vêm ocupando
destaque na mídia e provocando indignação de
alguns, despertando curiosidade em outros e
fomentando diálogo entre familiares acerca
das diferenças e/ou semelhanças entre
transexuais e travestis. Enfim, esse tema
está no “ar”... E paira sobre as rodas de
conversas entre amigos, colegas de trabalho,
isso sem falarmos da escola, local onde o
tema é levantado de “supetão” por aquele
aluno ousado ou “por baixo dos panos” por
aquele que prefere o anonimato.
A realidade é que, independente de nossa
reação, a visibilidade de homossexuais,
transexuais e travestis vem abrindo espaço e
redesenhando o complexo e subjetivo trânsito
do desejo. Desejo é essa força interna que
impulsiona/instiga uma mulher, por exemplo,
mesmo “sem querer”, a desejar sexualmente
outra mulher. Nesse caso, a sua orientação é
homoerótica. Já um homem que “sem querer” se
percebe desejando uma mulher, tem orientação
sexual heteroerótica. Uma pessoa que não
sente atração sexual por ninguém é
assexuada. Esse “sem querer” possibilita-nos
a compreender que não é uma opção/escolha da
pessoa ser homossexual, heterossexual,
transexual, travesti, etc. Em relação a um
homem transexual, sem ele querer há uma
dissonância na sua identidade de gênero que
por infinitas razões o leva a rejeitar,
desde criança, seu sexo biológico e a se
identificar com o sexo feminino. Ele pensa e
se comporta como uma menina na infância e na
adolescência, em crise pelo conflito entre
seu corpo de homem e seu desejo de ser
mulher, se automutila, às vezes, chegando
mesmo a tentativa de suicídio. Para aliviar
seu dilema, se submete a vários processos
terapêuticos e se prepara para se submeter à
cirurgia de transgenitalização – que
consiste numa técnica/procedimentos
realizados por competentes profissionais em
hospitais especializados para adequar o sexo
biológico ao sexo psíquico. Situação análoga
acontece com a mulher transexual, que em
conflito desde a infância, rejeita seu sexo
anatômico e se identifica com o
comportamento de meninos. Na adolescência, o
conflito se intensifica e ela passa rejeitar
tudo que o seu corpo de mulher possui. Busca
vários processos terapêuticos para se
preparar para a mastectomia (retirada de
mamas) e a histerectomia (retirada do útero)
a fim de adequar o seu sexo biológico ao
psíquico.
O travesti, por
sua vez, vive em paz com sua identidade de
gênero. Seu prazer está focado no ritual de
feminização de seu corpo, que atiça o desejo
de seu cliente pela estética feminina.
Ao leitor que almeja compreender a historia
de vida de transexuais masculinos o livro
"Vivência de transexual: O corpo desvela seu
drama", de Coelho Pinto e Bruns (Ed. Átomo),
tem essa finalidade.
* Dra. Maria Alves de
Toledo Bruns é pesquisadora e autora de
vários livros Líder do Grupo de Pesquisa
sexualidadevida/USP-CNPq. E-mail
toledobruns@uol.com.br |