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Não entre no jogo - se entrou, saia!
Por Maria Alves de Toledo Bruns*
Há um descompasso entre o tempo de partida e
de permanência entre os/as parceiros/as. Às
vezes, um dos parceiros se encontra pronto
para partir, mas o outro não percebe os
sinais que indicam essa partida – as
evidências. E mesmo quando as percebe
precisa de tempo para processar a perda do
amado/a. Nesse desencontro, a realidade da
experiência amorosa registra momentos de
desencanto, sofrimento e até desespero. Para
algumas pessoas, a perda do/a amado/a é tão
intensa que não conseguem abrir espaço para
novos amores – mesmo em tempos de relações
efêmeras. Outras abrem este espaço – casam,
têm filhos, mas o/a amado/a do passado
continua, tal como um vulcão, a expelir sua
lava incessantemente ao longo de toda a sua
existência.
Suspiros, sonhos e confidências registram
esse modo de lidar com o tempo vivido com
o/a amado/a. Outras pessoas, ainda, diante
da ruptura da tão sonhada completude – que
se manifesta na fantasia de ter encontrado
sua cara-metade, sua alma-gêmea, e de serem
felizes para sempre –, alucinam,
enlouquecem. Nesse grau de desequilíbrio,
ocasionado pelo sentimento de “posse da
pessoa amada”, rompe a homeostase de seu
sistema psíquico, que, em caos, leva às mais
variadas barbáries.
O sentimento de posse tem o poder de
desestruturar, desarmonizar nossa estrutura
psíquica, afetando, assim, nossas
ponderações. Nessa trama, os dramas são
construídos. Há também aquela pessoa que se
separa por ter tomado consciência da
manipulação e sedução do/a parceiro/a.
Momento delicado para mulheres e homens que
convivem sob ameaças e chantagens de um
parceiro/a cujo perfil é semelhante ao do
personagem Leo (da novela Insensato
Coração), representado pelo ator Gabriel
Braga Nunes. No livro Meu vizinho é um
psicopata, a Dra. Martha Stout, faz um
brilhante alerta para o perfil dessa pessoa:
é sedutora, desembaraçada, charmosa,
manipuladora, egoísta e tem fome de poder.
Sem escrúpulo, utiliza-se de todos os meios
para atingir seus objetivos. Afinal, sem o
freio do super ego, o remorso, a culpa e a
vergonha são sentimentos que sua consciência
desconhece. Stout aponta essa incapacidade
de adequar-se às normas sociais; a falta de
sinceridade e tendência a manipulação; a
ausência de remorso após magoar, maltratar
ou roubar outra pessoa; a irritabilidade; a
agressividade; a impulsividade e a
incapacidade de se colocar no lugar do outro
são características do “Transtorno da
Personalidade Antissocial”.
A mídia e a literatura registram diariamente
crimes inimagináveis praticados por homens e
mulheres das mais variadas classes sociais,
grau de escolaridade, credo e orientação
sexual. Como, então, se proteger para não
cair nas garras de um psicopata? Resposta
nada fácil, mas a autora dá algumas dicas.
Primeiro, retirar o auxilio das lentes
coloridas e não deixar passar despercebido
aquele gesto de dominação, as proibições
impostas por ele/a em relação às suas
amizades.
Perguntas recorrentes sobre outros
relacionamentos; juras exageradas de amor;
frases tais como “Vamos usar o seu cartão de
crédito e viajar para Lisboa amanhã cedo”;
“Dê-me o seu carro, quero testar a potência
do motor”; “Estou cansado de seguir regras.
Viva a liberdade! Nós mereceremos!” são
alguns indícios de que você pode estar ao
lado de um/a psicopata. A Dra. Martha
esclarece: o/a psicopata estuda
minuciosamente sua presa – sabe criar uma
sensação de familiaridade/intimidade e sabe
usar frases de efeito tipo: “Sabe, acho que
você e eu somos muito parecidos”. A sedução
é apenas mais um elemento do seu jogo. A
especialista informa ainda que 4% da
população – ou seja, uma em cada 25 pessoas
apresenta este transtorno. É preciso estar
atento/a!
* Dra. Maria Alves de
Toledo Bruns é pesquisadora e autora de
vários livros Líder do Grupo de Pesquisa
sexualidadevida/USP-CNPq. E-mail
toledobruns@uol.com.br |